As Romãs
Existia um horto, onde existiam romãs, nas quais existia uma frescura brava e vermelha , desfeita em grainhas tenras .
O dono das romanzeiras ao vê-las assim tantas , sempre que chegava ao Outono desprendia as melhores das árvores e colocava-as diante da sua casa , sobre uma bandeja de prata, e com a sua própria voz ia apregoando que as dava de graça e com gosto saudando todos aqueles que passavam no caminho.
Porém todos os que passavam viam naquele oferecimento um embuste e desconfiados alargavam o passo esticando em igual medida a cautela.
Então o homem pensou e no Outono seguinte não deixou as romãs na bandeja de prata nem se desfez em simpatias de oferendas mas escreveu apenas com letra impessoal e grande num letreiro vantajoso que ali existiam as melhores romãs do povoado mas que eram vendidas mais caras que outro fruto qualquer.
Então, num ápice todas as romãs desapareceram ou porque os homens e mulheres das redondezas se acotovelavam durante o dia para poder comprá-las, ou porque à noite soltavam os muros do horto para poder chegar num esforço clandestino, ao mérito de poderem provar tão raro produto.
Quem sabe se em vez de oferecermos o que damos começarmos a vender o que nos pertence alguém acredite na raridade daquilo que paga ...quando o podia ter de graça.