Havia uma grande pedra no caminho que dificultava a passagem a quem seguia por ele e que obrigava a parar. Alguns ao verem o obstáculo vociferaram contra a autoridade que deveria prover ao bom estado das estradas e libertos pela catarse das palavras dirigidas a um alvo certo , desviaram-se da pedra seguindo o seu destino. Outros que por ali passaram deliciaram-se com o exótico de um penedo rombo mesmo no meio da passagem, desfizeram-se em conjecturas sobre se antes ali teria estado a pedra ou a estrada mas também eles apressados pelos afazeres contornaram o pedrulho e passaram ao lado seguindo em frente. Veio depois um tolo que seguia pela berma e a quem a pedra nenhum transtorno causava mas, chegado aquele ponto da estrada tomou a direcção dela até lhe embater. Não vociferou, não se desfez em conjecturas , demorando-se nos cálculos que no seu supino entender lhe permitiriam tirar o obstáculo do caminho. Assim passou o dia e a noite até que pelo poder das alavancas e dos apoios, feitos de pedras mais pequenas, fez rolar a pedra até a berma por onde antes seguira. Estava a contemplar o sucesso do seu trabalho quando , de novo, por ali passaram todos aqueles que antes se haviam desviado e, admirados pelo engenho de um louco, todos eles lhe perguntaram porque havia mudado a pedra do seu sítio. Ele encolheu os ombros e respondeu simplesmente que tinha sido mais fácil desviar a pedra que desviar a estrada e quando os outros se emudeciam nesta resposta ele acrescentou ainda..." E assim posso ser tão são como vós porque com a pedra na berma por onde sigo , também eu me posso desviar como vós fizestes e já vi que é nos desvio que fazeis que se conserva inabalável a vossa única humanidade". |
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