Custara a estabelecer aquela ordem no reino. Uma tranquilidade assente na sabedoria de um rei que sabia agradar ao seu povo , ajudado por um vice rei que sabia agradar ao seu soberano. O poder deixara ainda aberta e esclarecida a relação entre os subditos e o monarca resultando sendo prova disso que todos bebiam da mesma fonte e se lavavam nas mesmas águas num sinal de fraternidade que nenhuma outra diferença desfizera. O vice rei que se agradara de agradar ao seu senhor mas que se enfastiava com que esse se agradasse do seu povo resolveu numa noite, na clandestinidade das sombras que são a única luz dos tortos de espírito e dos minguados de sabedoria, deitar sete gotas de um veneno poderoso e alucinogéneo na fonte de onde bebiam água e na nascente do ribeiro onde se banhavam guardando ele para si e para o seu amo uns fartos almudes que lhes garantiriam o tino durante o tempo necessário a que este repensasse o seu destino iluminado de mandança e repusesse a diferença que deve existir entre quem manda e quem é mandado. No dia seguinte todo o povo enloqueceu e veio para a rua dizer que o rei e o seu ordenança haviam endoidecido e que o reino estava à beira da ruína por ser governado por um doido que era ajudado por um tolo. Percebendo a revolta , o rei angustiou-se e preparava-se para partir quando o seu vice , deitando fora a água desinquinada que guardara aprestou-se a encher as tulhas com a da fonte e do ribeiro , aprestando-se a servi-la ao seu dono e a banhar-se , também ele, num banho demorado e completo. Então, saindo de novo a rua , o povo aclamou o seu soberano e quem o vicejava, alegrando-se de aqueles ambos terem recobrado o juízo e a paz ter regressado aquele lugar onde, a partir daquele momento, asa aves deixaram de fazer ninhos por estranharem o sabor das águas e os frutos se terem recusado a nascer para não cairem nas bocas de tal gente... |
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